| Clube da Japa |


 

Diariamente das 06:00 às 07:30
   "Em nosso movimento para a consciência de Krishna nós recomendamos ao neófito que cante pelo menos dezesseis voltas. O cantar de dezesseis voltas é absolutamente necessário se alguém quer se lembrar de Krishna e não esquecê-Lo. De todos os princípios regulativos a ordem do mestre espiritual para cantarmos pelo menos dezesseis voltas é o mais essencial."
Srila Prabhupada, CC Madhya 22.113

 
       
Abaixo texto de SS Maharaj Chandramukha Swami sobre o Clube da Japa  


30 de novembro de 2010

Queridos devotos!
Todas as glórias a Srila Prabhupada! 

Minha primeira visita ao Templo do Rio foi numa sexta-feira à noite, quando ouvi minha primeira palestra, comprei um exemplar da Gita, uma japa-mala e, em seguida, fui viajar com alguns amigos para Saquarema. Voltei ao Templo no Domingo seguinte pela manhã. Era Ekadasi e ajudei a descarregar a Kombi que havia chegado com doações do Ceasa. Antes mesmo de terminar o serviço, tive o privilégio de conhecer Paravyoma Prabhu, o qual entusiasticamente me convenceu a acompanhá-lo na distribuição de livros pelos ônibus da cidade. A experiência foi tão prazerosa e mexeu tanto comigo que, ainda na segunda-feira, pedi as contas do meu emprego, uma vez que eu decidido de viver no Templo para sair diariamente às ruas em sankirtana, ocupação essa que me rendeu vários anos maravilhosos. Por que eu estou lembrando isso?...

Aqueles que são da minha época irão concordar: quem considerasse a possibilidade de ser devoto pensava imediatamente em viver no Templo, sendo que ‘viver no Templo’ significava (com raras exceções) ganhar uma bolsa cheia de livros e sair diariamente para distribuí-los por 8, 10 ou 12 horas! É claro que alguns acabavam não se adaptando a este tipo de vida austera, ficando na retaguarda com outros serviços como limpeza, tesouraria, cozinha etc, o que também era bem-vindo.

E hoje, o que realmente significa ser devoto? Não tenho dúvida de que existem variadas repostas para essa questão, mas gostaria de compartilhar com vocês uma humilde consideração. Para tal cito abaixo um importantíssimo texto de um significado de Srila Prabhupada (Madhya-lila, 22, 113).

 

 

Srila Prabhupada não poderia ser mais direto. O cantar diário de, no mínimo, dezesseis voltas diárias é a essência da vida devocional – inclusive para os NEÓFITOS. Foi isso o que ele disse. Certamente, se todos nós, membros da ISKCON – especialmente os iniciados que fizeram seus votos e os aspirantes à iniciação – levássemos isso mais a sério, não há dúvidas de que nossa sociedade estaria ainda melhor, tanto individual quanto coletivamente. Esse assunto é tão importante, tão apropriado, tão vital, que lhe pergunto: Você canta dezesseis voltas de japa diariamente? Seus irmãos espirituais cantam? Aqueles que você conhece que fizeram seus votos estão cumprindo-o?... Não podemos nos esquecer que Kali-yuga significa também ‘Era da hipocrisia’. Não podemos institucionalizar dentro da ISKCON de Srila Prabhupada a situação que alguns devotos e devotas fazem de conta que cantam e, portanto, fazem seus votos de iniciação, enquanto o mestre espiritual, por sua vez, faz de conta que acredita.

Tenho perguntado para muitos devotos iniciados, alguns bastante antigos, se eles estão cantando suas dezesseis voltas diárias e tenho me surpreendido negativamente, pois tenho constatado infelizmente que são raros os que cantam. Alguns cantam alguns dias, mas não cantam outros. Meu Deus! Kali-yuga é assim mesmo: a regra (de cantar dezesseis voltas diárias) se tornou uma exceção; enquanto a exceção (de não cantar) se tornou a regra. Essa doença na vida espiritual é tão perigosa que coloca o devoto-doente bastante próximo à quebrar os princípios. Bem, não quero me estender num único E.mail, mas espero que ele sirva de reflexão...

Para terminar, quero compartilhar com vocês algumas experiências positivas. Tudo começou há cerca de dez dias quando visitei Porto Alegre e me hospedei na casa do casal Vrajendra-nandana e M. Vraja-jana, onde também funciona o Centro de Cultura Védica Premananda. Além de aulas de Yoga, cursos de Ayur-veda, de Bhakti-yoga, etc. esse maravilhoso casal teve a brilhante iniciativa de iniciar pela manhã, das 6 às 7:30h, um programa voltado especificamente para a prática da japa. É importante dizer que a “onda social” não é bem-vinda. Nada de cumprimentos calorosos, prasadam, ou mesmo estudos e kirtanas. É claro que isso tudo é maravilhoso, mas não combina com a prática da japa. Todos chegam silenciosamente, pegam uma almofada e se sentam confortavelmente para, congregacionalmente, praticarem o canto com total seriedade.

Seguindo os passos dessa importante iniciativa, ao visitar Belém na semana passada convoquei os devotos para nos reunirmos também no Centro Cultural entre 6 e 7:30h para praticarmos o canto. Foi maravilhoso, pois quase trinta devotos compareceram. E o melhor é que eles estão conseguindo manter o programa diariamente com cerca de quinze devotos!

O mesmo aconteceu em Brasília, de onde acabo de chegar. Tive o privilégio de participar do festival de domingo e convoquei os devotos para cantarmos japa na segunda-feira de manhã. Onze devotos compareceram para a prática atenta do canto do maha-mantra. Concluindo, seria maravilhoso que, desde o início, todos que se inspiram com a consciência de Krishna compreendam a importância vital do cantar diário de dezesseis voltas e sejam convidados para praticar na companhia dos devotos. Assim como, na minha época, tornar-se devoto significava praticamente viver num Templo e sair diariamente às ruas (entre outras coisas, é claro), seria maravilhoso se, hoje em dia, ficasse claro que ser um devoto significa (entre outras coisas, é claro também) acordar cedo e praticar o cantar diário das dezesseis voltas – se possível com outros devotos e antes de qualquer coisa. Vamos aderir a esta corrente da japa? Vamos organizar grupos diários do canto do santo nome?

 

Seu servo, Chandramukha Swami